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22/06/2006 00:42
Pierrot sem paixão
Hoje eu quero o silêncio em mim. Preciso. Pontual. Necessário.
Como este nó na garganta que sangra um sangue imaginário, mais nocivo que hemorragia. Quero a tristeza profunda. Quero a homenagem pela passagem pela rosa mais linda que houver. Quero os anos que foram. Quero os anos que vêm.
Hoje eu quero a dor de um parto difícil. Quero o momento limite. Quero a exploração da minha alma. Quero o grito nos dedos. Quero o amor perdido. Quero dizer não. Quero dizer sim. Quero a certeza. Quero a boca. Quero o olho. Quero sonho sem imagem. Quero sentir. Quero ouvir. Quero palavras.
Quero.
Quero voltar...
Voltei.
enviada por Tacinha
23/06/2004 07:30
.
enviada por Tacinha
23/06/2004 07:30
.
enviada por Tacinha
07/05/2004 01:14
"Para nascer, eu nasci"
Quadro de Waldo Bravo
EMERGINDO
Emergir é o ato de sair de onde se estava mergulhado. E eu estava mergulhada no meu oceano e por lá permaneci por um longo tempo. O que antes eu entendia como falta de inspiração, preguiça, desleixo, desinteresse, na verdade era uma submersão pra dentro de mim mesma. Não foi hibernação, porque na verdade a intensidade da exploração das minhas mais profundas motivações estava longe de ser inativa. Hoje consegui entender isto.
Voltar à superfície com toda a experiência que este tempo me trouxe (de uma forma quase inconsciente) me deu uma leveza, uma lucidez que há muito tempo não tinha. Precisei deste tempo. Não tinha como falar com ninguém sem antes perder o medo do mergulho, do olhar para o que não queremos entender ou explicar. Como quando somos crianças, cheios de vontades que não conseguimos definir, desejos baseados em valores que não entendemos, quando somos observadores e não agentes de nós mesmos.
Foi bom, muito bom, porque consegui voltar e encontrar meu chão como eu deixei e que eu agora sei como ele vai ficar a partir da minha transformação. Que aparentemente nem foi tão grande assim na verdade foi quase como um mergulhador que se incomoda com a sujeira no fundo do oceano e resolve limpar. E nesta limpeza acaba tendo um novo olhar sobre o oceano - mais claro, mais limpo, transformado.
Zé Celso Martinez outro dia que a gente precisa morrer para nascer. E é verdade morri um pouco em coisas que não tinham mais espaço para, enfim, continuar nascendo e vivendo.
Beijos cheios de saudades!!!
PS Um beijo especial para a Gi (www.livroreportagem.blig.com.br) que está publicando seu livro A Morte como Sustento, no qual eu tive a honra de ter um texto meu publicado. Sucesso pra você!!!
enviada por Tacinha
26/02/2004 17:53
PRA RELAXAR NO CARNAVAL
É bom fazer nada (ou tudo!) no carnaval. Quem pode viajar e está disposto a enfrentar o trânsito e tal, boa sorte. Pra quem vai pular e aprontar, mais boa sorte ainda! Vi este texto na internet, do 2 TESTÍCULO e adorei!! Não resisti e resolvi postar aqui para vocês se divertirem tanto quanto eu me diverti.
FOFO O CARALHO.
por Rolinha
Estava falando com um camarada sobre como deveriam existir workshops para alguns homens - tipo eu e ele - aprendermos a nos portar como autênticos cafajestes. Porque parece que gente como nós simplesmente não nasce com o gene cafa impresso em nosso código genético e por explicitarmos isso naturalmente somos alvo de preconceito por um certo target feminino que nos é interessante. Na verdade, o que incomoda não é num se dar bem uma ou outra vez porque a mina te acha bonzinho. É que se isso se torna uma constante, as minas passam a lhe tratar pelo pior adjetivo que um homem pode adquirir na vida: você periga ser FOFO!
AAAAAAAAAAARGHHHHHHH! Não existe nada pior para um homem do que quando uma mina vira para ele e fala Ah, você é fofo como se estivesse se referindo a um Ursinho Carinhoso ou ao Meu Querido Pônei!! Dá vontade de se auto implodir e só voltar na próxima encarnação, de preferência na pele do Jece Valadão caçando focas para fazer tapete de cassino!
Eu já desisti de entender porque as minas gostam tanto de tomar na cabeça e ficar se lamentando depois. Acredito que esse mecanismo masoquista deve ter algo a ver com o principio da sodomia carnal, só que mal resolvido e aditivado com pitadas de culpa cristã. Elas devem achar que homens bonzinhos não têm boa pegada só porque eles as ouvem em momentos periclitantes e não as tratam como restos de bonzo quando não rola uma perspectiva imediata delas darem pra eles. Mas que isso não soe equivocadamente como uma defesa a suposta classe dos bonzinhos. Por um simples motivo: assim como os duendes, os bonzinhos só existem na idealização de meninas tão perspicazes e por dentro da realidade quanto a Xuxa!
As minas em questão - porque amiga não conta, claro! - não se tocam que os bonzinhos também atuam como perfeitos cafas, mas não propriamente com elas. É caído mas é verdade: todo bonzinho é tão filha da puta quanto um cafa, o que muda é com quem se é cafa e com quem não se é e isso é diretamente condicional ao nível de interesse. Não somos bonzinhos, apenas optamos por não ser cafas com certas mulheres. E são essas que cagam nas nossas cabeças. Enfim, a lógica parece ser inversa para hombres e mujeres. Mas de qualquer jeito, uma coisa é bom que fique claro: FOFO É O CARALHO! E tenho dito.
Bom carnaval pra todo mundo!
beijos,
enviada por Tacinha
10/02/2004 21:13
San Brown - www.explodingdog.com
RECICLANDO A VIDA
Sábado de manhã, dia lindo, lá vou eu para o cabeleireiro cortar o cabelo. Levei a Gigi junto, pra cortar a franjinha. Chegamos e o salão estava cheio, afinal sábado é dia de dar um trato no visual. Resolvi esperar quando fui invadida por um cheiro delicioso de pastel de feira. Como boa paulista, paulistana e lapeana que sou, isto para mim foi irresistível. Aviso a cabeleireira e lá vou eu e a Gigi para a feira.
Feira aqui em Sampa anda bem sofisticada. A barraquinha de pastel se modernizou e já não é mais aquela coisinha insossa de pastel de carne e queijo. Agora tem uma grande variedade, tem bolinho de carne, de bacalhau, coxinha e outras coisitas mais, além de mesinhas para acomodar a freguesia, evidentemente.
Sentamos eu e minha filhota e fizemos nosso pedido (2 pastéis de queijo, temos preferência pela tradição) além do caldo de cana da barraquinha ao lado (ai meu pneuzinho!!!).
Muito bem, estávamos lá, degustando esta iguaria tipicamente paulistana quando encosta no cesto de lixo um destes catadores de papel. E ele começou a recolher os papéis, latinhas e todas as outras coisas que pudessem ser aproveitadas. Seria um episódio indiferente para mim, não fosse um detalhe: um garoto, observando o catador, virou para o pai dele e disse:
- Pai!!! Tem um mendigo aqui!!!
Minha filha, na mesma hora, indignada virou para o garotinho e disse:
- Ele não é mendigo!! Ele trabalha com reciclagem!!
Imaginem a cara de todo mundo na barraquinha olhando aquela pirralhinha de seis anos que saltou em defesa do catador. Claro que ela já tinha ouvido algo parecido de mim, quando ela me perguntou o que algumas pessoas estavam fazendo revirando o lixo numa outra ocasião. Expliquei que eles estavam cuidando de uma coisa importante para nós: reciclando o lixo.
Mas não importa. O que vale é o orgulho que senti da minha filha mostrando que ela está atenta às coisas do mundo, antenada, enfim, crescendo e aprendendo a argumentar.
E o catador saiu de lá com uma outra atitude, talvez entendendo a sua verdadeira função como cidadão, ou talvez pensando que na verdade o que ele quer é só um trocado para sobreviver. Sei lá, só sei que aquelas pessoas, naquele instante, tiveram um breve momento de reflexão. Assim como eu.
Boa semana para todos!!
Beijos,
enviada por Tacinha
08/02/2004 11:55

enviada por Tacinha
13/01/2004 17:36
"Felicidade" - Leonardo César Veloso (Brasil)
DE VOLTA
Uahhhhh!!! Depois de um longo período de sonoterapia mental (não física), retornei.
Estar em 2004 e não ter a desculpa do espera o ano novo chegar me deixou um pouco inerte. Mas agora, depois de fazer todos os saldos e balanços, de ter comemorado, brindado, desejado tudo o que eu quero, descartado tudo o que não faz mais parte de mim, posso me dizer pronta pra reassumir minha vida.
2003 foi um ano diferente. Ao mesmo tempo que foi bom em muitos aspectos, foi muito ruim em outros. As maiores novidades aconteceram no finalzinho dele. Uma delas é que depois das minhas férias acabei virando suco. Sou a gerente que virou suco (já li isto em algum lugar...), ou seja, estou fora do time e dentro das estatísticas dos desempregados. Isto foi ruim pra terminar o ano de 2003. É muito ruim ver um projeto morrer, uma empresa sucumbir à crise. Decisão difícil de tomar, mas boa para começar 2004 com um novo desafio, o que é bastante estimulante.
Em contrapartida no mesmo final de ano, reencontrei em mim sensações que a tempos não vivia. Fui surpreendida por um homem que apareceu em minha vida, que me proporcionou momentos deliciosos. A lei universal da compensação. Não sei se vamos nos ver de novo, não gosto de fazer planos nem de criar expectativas. Só sei dizer que foi muito bom e que me fez de novo ter vontade de me apaixonar. Valeu!
Outra coisa que aconteceu em 2003 foi ter começado a escrever. Sem grandes pretensões, acabei descobrindo um prazer que me serve de ponte para várias coisas boas, entre elas a de fazer grandes (porque todos o são) amigos. Isto realmente foi uma das surpresas do ano que eu vou preservar e conservar em 2004.
Coisas que fazem parte não somente deste ano que passou como de todos os outros que ficaram para trás. O bom é continuarmos crescendo com nossos erros e acertos, porque isto é VIDA.
Metas para 2004? Ser feliz (mesmo que seja por um momento), dançar (como se ninguém estivesse me olhando), trabalhar (desafio novo que abraço cheia de tesão), amar (sempre e cada vez mais), rir (até chorar), tomar umas cervejas (fevereiro me aguarde!!) e assistir todos os dias a minha filha crescendo. Ahhh! Já ia me esquecendo: ganhar dinheiro! (Megasena, me aguarde!). Enfim, tudo o que eu desejo não somente por um ano, mas para a minha vida inteira.
Agora é encarar o que vier pela frente, fazer a minha parte e que Deus nos ajude!!
Beijos cheios de saudades,
enviada por Tacinha
22/12/2003 21:29
Minha filha, minha luz, Giovanna e eu na festinha de final-de-ano
NATAL
Natal é tempo de renascimento, de nascimento, de sentimentos em ebulição. É fácil amar no natal, é fácil virar o melhor amigo de todos os tempos, é fácil o beijo, é fácil a lágrima. Ficamos emotivos, mesmo que seja para dizer que não significa nada, que é só comércio.
Mas não é comércio o coração apertado lembrando dos amigos. Ganhei tantos mais neste ano. Não é comércio querê-los todos à minha volta. Não é comércio o abraço mais apertado do que sempre, não é comércio a saudade dos outros natais, não é comércio as tristezas que teimam em nos rondar, não é comércio a alegria de ver as crianças esperando Papai Noel.
O comércio sempre existiu e sempre vai existir. Sempre tem alguém querendo vender, até mesmo um pouco de carinho. Não me importa. O meu coração não está a venda e esta vontade de estar com cada um de vocês e dar um enorme beijo, um abraço maior ainda e de olhar nos seus olhos e falar com a alma.
Sei que apesar dos pesares amigos, apesar das dores, apesar dos atropelos, estamos aqui, renascendo, curando as feridas, olhando para cima e nos sabendo amados. Saibam que os melhores presentes não são mensuráveis nem tão pouco palpáveis. Mas está aqui, nestas linhas, o presente que ofereço para todos vocês: meu amor e meu carinho".
Muitos beijos e Feliz Natal!!
P.S. Este post eu dedico a minha amiga Palova que perdeu o pai na última sexta-feira. Estou aqui sempre que precisar, você sabe disto. Força.
enviada por Tacinha
16/12/2003 19:26
LIÇÃO DE VIDA AO PÉ DO TÚMULO
Sexta-feira que não era 13, mas que merecia, já que o programa era ir ao cemitério acompanhar a exumação do corpo do meu pai. Ele faleceu numa tarde de março, com chuvas de março, do século passado, do milênio passado, 1999 para ser exata. Eu fui a única das filhas com coragem para acompanhar. Não sou adepta do estilo sangue, tripa, caveirinha como pode parecer, mas é que para mim, que já vi muitas outras exumações de parentes, não era nenhuma novidade.
Chegamos ao cemitério, acertamos a papelada, documento daqui, xerox autenticada dali, burrocracia acolá, enfim, conseguimos autorização para dar início à cerimônia. Procuramos pelo Seu Bola, coveiro camarada que já conhecíamos e que era o responsável por manter o jardim do túmulo a troco de uma contribuição mensal.
Seu Bola, na verdade, é um sujeito franzino, com uns 50 anos, negro, aquele sorriso simpático característico, com menos dentes do que a simpatia requeria. Estava ele nos esperando com um outro rapaz, que descobri depois se tratar de seu assistente (assistente de coveiro deve ser um cargo muito importante). Pois bem, quem começou a desenterrar foi o assistente. Seu Bola, sentou-se ao pé do túmulo e eu, sem ter muita alternativa, sentei ali pra puxar conversa. Minha mãe, que também adora um bom papinho, nos acompanhou.
E ela começou: - Seu Bola, o senhor não tem medo de fazer este trabalho não?
Ele: - Medo? Vou dizer uma coisa pra senhora: se tem uma coisa que me faz sentir vivo é enterrar os mortos.
Eu não pude deixar de prestar atenção nesta frase sem interferir: - Como assim Seu Bola?
E ele, tirando do bolso uma latinha com rapé (pensei que nem existisse mais), deu uma boa aspirada no pó, espirrou e satisfez minha curiosidade:
- Olha Dona Sandra, cada vez que eu, do alto dos meus 55 anos, enterro gente muitas vezes mais nova do que eu, penso comigo, que bom que estou vivo para poder fazer este trabalho. Ás vezes quando estou triste em casa, preocupado com os netos, venho pra cá e fico bem.
É o famoso antes ele do que eu. Como tudo é uma questão de ponto de vista, não é mesmo? Ele olha o trabalho dele não com a sombra da morte, mas com o vigor da vida. Ganhei meu dia com aquele bate papo. Nem mesmo o fato de a exumação ter demorado demais e de não ter dado tempo de ir levar meu pai (vou chamar os ossos assim) ao outro cemitério me desanimou. Levei-o para casa (papai) e até mostrei para a minha filha que estava doida para ver a caveirinha do vovô. Nada como a simplicidade das crianças. Sem medo, sem bobagens e amando o que o vovô significou e não o que sobrou do corpo físico dele.
Dia seguinte lindo, levei meu pai para o lugar que escolhemos para a família e com uma oração simples da Gigi, encerramos este episódio. Amando a vida mais do que nunca.
Beijos e boa semana,
enviada por Tacinha
09/12/2003 21:34
Diego Rivera - Dia de las flores, 1925 - óleo sobre tela - Los Angeles County Museum of Art
MINHA MESTRA
Guerreira. Esta é a palavra que melhor te define. Porque desde que me conheço por gente, você sempre foi a minha referência. Me lembro tanto da sua saia que eu, quando pequena, vivia agarrada nela. Me lembro dos livros que meu padrinho me dava e que você lia com tanta paciência. Me lembro da sua mão na minha, me ensinando a escrever. Eu canhota e você lá se esforçando para escrever junto comigo. Me lembro do seu orgulho com minhas notas na escola. Aliás você adorava estudar e foi obrigada a deixar a escola quando criança porque não dava para todos os irmãos estudarem. Me lembro das dificuldades que enfrentamos quando meu pai ficou desempregado, de você voltando a trabalhar, eu com 10 anos e minhas irmãs pequenas. Lembro de você chegando cansada no fim do dia e ainda ter que cuidar da gente, da casa, do jantar, dividir o que tínhamos. Lembro de você trabalhando com costura em casa madrugada adentro.
Admiro a sua coragem. Trago até hoje comigo seu ensinamento de que o importante é nos prepararmos para enfrentar a vida sozinha, nunca depender de ninguém. Você encarou a doença do meu pai, cuidou dele apesar de tudo, depois veio a doença da vovó, e você firme lá, trabalhando e se dedicando a ela nos finais de semana. De onde vem tanta força? Nunca consegui entender.
Aos 65 anos voltou aos bancos escolares para realizar o sonho de se formar no colégio. Nem preciso dizer do orgulho que senti de você. Quero conseguir enfrentar a vida assim como você, com coragem e determinação e estas lições quero passar para a minha filha também.
Hoje mãe, no dia do seu aniversário, eu escrevi esta carta aberta para declarar meu amor por você. Quando pequena eu às vezes ficava triste porque tinha que cuidar das minhas irmãs, estudar e ainda não conseguia ter você para mim porque era muita coisa para uma única pessoa. Hoje eu entendo isto e sei que o que me tornei foi graças ao seu exemplo, ao seu esforço e ao seu sacrifício. Não poderia ter tido uma mestra maior e melhor. Obrigada dona Irene. Te amo muito e ainda quero ver Irene dar sua risada...
Beijos,
enviada por Tacinha
01/12/2003 14:39
AMOR, SEXO E NADA MAIS
A preguiça tomou conta de mim. Não vou inventar que ando ocupada, que tenho muito o que fazer, afinal estou de férias. Estou tomada de preguiça e de falta de inspiração. E inspirar é o que mais tenho feito nos últimos dias. Curtir este poder não fazer nada de obrigatório. Poder me dar ao luxo de ficar à toa. Poder olhar a tempestade se formando e observar a sua chegada lentamente. Estar leve, feliz, fazer somente o que tenho vontade. Ignorar o jornal, desligar o horário político, ler um livro até onde tenho vontade, sair pra andar ou não. Enfim, este texto tem muito mais a intenção de dar uma satisfação aos meus queridos amigos do que propriamente falar sobre algo em especial. Mas ouvi agora uma nova música da Rita Lee no rádio e gostei muito da letra então, pra não cair na idiotice, vou me socorrer da nossa eterna mutante pra oferecer duas coisas fundamentais e boas demais, pra todos nós:
AMOR E SEXO
(Rita Lee)
Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval
Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora
E as férias estão acabando...
Beijos,
PS - Para ouvir a música, acesse o site da
RITA LEE
enviada por Tacinha
25/11/2003 08:08
Veja o final da estória clicando AQUI
A VIDA EM FOTONOVELA
Mais um fim-de-semana de praia, de férias, de sossego, de boa música, de muitas risadas, de balada com os amigos. Como isto é bom! Como isto nos faz descobrir o sentido da vida (eu sei, eu sei, sou exagerada mesmo). Mas guardando as devidas proporções, diria que voltei muito leve, de bem com a vida e com tudo o que ela nos proporciona.
Como não fez sol no sábado, depois de uma boa caminhada na beira do mar, cantando o que viesse na cabeça, sentamos para assistir a um seriado americano que meu amigo levou em DVD. E foi inevitável a comparação das estórias que se passam na ficção com as nossas próprias histórias. Evidente Sandra, vocês vão me dizer, afinal cada um destes personagens foi inspirado em nós mesmos.
Eu sei, eu sei meus amigos. É que como a minha mente não se limita a simplesmente constatar um fato, viajei pensando nas histórias que se passam com cada um de nós. Somos protagonistas da nossa própria história e coadjuvantes das demais pessoas que fazem parte dela. Às vezes as coisas que acontecem são tão previsíveis, que parece que dispúnhamos do script divino dos nossos destinos. Às vezes o autor nos prega peças, às vezes mudamos o roteiro, a fala, ou simplesmente dá um branco e esquecemos.
E pensando nisto acabei me lembrando das fotonovelas. Sei que muitos não têm nem idéia do que eu estou falando. Eu adorava ler quando era pequena, até porque era uma das leituras mais disponíveis na minha casa. Minha mãe amava. As italianas eram as melhores. As estórias eram muito parecidas com estas que vemos nas novelas mexicanas e venezuelanas que passam na TV (das quais, confesso, sou uma apreciadora meu lado trash, rsrs). Nomes compostos, mocinhas e mocinhos, dramas, choros, finais felizes. No fundo, no fundo é o que pretendemos pra nossa história: um final feliz, ou melhor, um meio feliz é mais apropriado, já que assim podemos aproveitar mais. Enfim, vasculhei na internet em busca de alguma pérola daquele tempo e encontrei uma que foi feita em Quatá. Se alguém quiser saber o final da estória, acesse o link que coloquei embaixo da foto. Se vai gostar eu não sei, mas que é divertido imaginar seus amigos desempenhando os papéis da fotonovela da sua vida, fazendo caras e bocas para expressar emoções nas fotos, escolher os textos de cada um, montar um roteiro imaginário, garanto que é. Experimente!
Beijos,
enviada por Tacinha
19/11/2003 16:42
ACHO QUE ACORDEI
Acordei hoje meio sem ter noção de onde estava. Olhei em volta, vi minha tv, minha filha, o relógio e aos poucos fui recuperando meu chão, ou melhor, minha cama. Nossa! Dormi pesado. Estava precisando de um sono destes sem sonhos, sem insônias e sem pesadelos só o velho e bom sono. Acho que é efeito da saudade que eu estava da minha cama, da minha casa. Fui no fim-de-semana para a praia e estava tão gostoso passar o dia olhando o mar, tomando um sol, andando descalça na areia, assistindo a musicais da Broadway à noite com os amigos, papear, confidenciar, filosofar, rir - precisava disto. Mas nada como meu canto.
Fugi da cama na maior preguiça (calma, estou de férias), fui ao espelho e dei de cara com os meus olhos pretos, borrados de rímel. Que devastador. Nem adianta imaginar uma cena foi só um produto novo que experimentei e esqueci de tirar antes de dormir.
Mas acho que este olhar era o que melhor refletia meu estado de ânimo hoje. Não sei se era a chuva (chuva caindo sempre dá uma sensação de desamparo), se é efeito do fim-de-semana (o cenário estava tão romântico), se é por causa de todos os meus amigos que estavam assim, como eu, dos papos na net, do livro que estou lendo até parece que estamos sob um senso comum, sentimentos compartilhados, não sei explicar, só sentir.
Estou com uma sensação de ter despertado, não do sono, mas para algo que há algum tempo vem me incomodando. Na segunda-feira assisti a um filme na tv que eu nem sei o nome e nem me lembro dos atores, mas uma frase ficou marcada: sinto falta de ter alguém para ligar no final do dia, preciso ter alguém para me ajudar a escolher um vídeo, pra dizer boa noite.... Esta frase me fez chorar (e nem adianta tentar explicar como uma crise de TPM, nunca tive). Não era tristeza. Era solidão. Só solidão.
Não me incomodo de ficar sozinha. Até gosto da minha companhia, tenho minha filha, meus amigos e não tenho problemas para me divertir, nem sou encanada com nada na vida. Se não consigo resolver um problema, passo para o próximo e pronto.
Mas com o coração não dá pra ser assim. Não dá para resolver se apaixonar. E não dá pra saber quando isto vai acontecer, nem como, nem dá pra escolher por quem. Nas outras vezes em que me apaixonei sempre foi assim, meio no susto. E tem ainda o fato de que você nem tem a garantia de ser correspondido. Que pânico! Conseguir reunir este monte de variáveis e ainda depender de ter a sorte de encontrar meu amor nesta multidão. De repente bateu um desespero! Acho que nunca mais vai acontecer. Que vontade de chorar, que vontade de desmentir tudo o que escrevi acima ou de contar com o destino a meu favor. Porque só ele pode ajudar qualquer um nesta busca. Que sensação de impotência (suspiro).
Não sei o que fazer, mas ficar me lamentando é que não vai resolver. O negócio é lavar o rosto, tomar um banho, convocar a minha alegria de viver, sair para dar uma volta e torcer para que o destino goste de ler blogs, dê uma passadinha aqui, se comova com meu lamento e resolva colocar ele no meu caminho lá no supermercado, que é para onde vou agora. Se eu não o encontrar, pelo menos encontro um monte de coisas gostosas. Humpf.
Desejem-me sorte!
Beijos,
enviada por Tacinha
13/11/2003 16:16
Imagem enviada pelo meu amigo Fabricio
A PEDRA DE WERTHER E A LUA
Ai que noite quente! Não dava pra dormir. Resolvi ler um pouco deitada na rede, na varanda. Que idéia boa foi esta. Uma noite gostosa, uma lua linda, impecável não estava totalmente cheia, mas estava com uma cor extremamente sedutora o barulho do sino de vento de bambu, a brisa suave, refrescante. Perfeito.
O livro era Os Sofrimentos do Jovem Werther de Goethe. Fazia muito tempo que eu queria ler porque vi muitas referências sobre ele no livro do Roland Barthes. Encontrei outro dia no supermercado, no formato de pocket book, bem barato e resolvi comprar.
Voltando à minha cena, estava lá, embevecida pela lua, abraçada pela brisa, embalada pelo sino de vento, quando li o seguinte trecho Falam que a pedra de Bolonha, quando exposta ao sol, absorve os seus raios e reluz por algum tempo durante a noite.. A referência é feita por que Werther, apaixonado, manda um criado até a sua Charlotte para ter junto de si alguém que tenha estado em sua presença, e, assim como a pedra de Bolonha, transmitir para ele a idéia de ter a energia de sua amada emanada pela figura do criado.
Nossa! Que loucura isto. Parei a leitura, tirei os óculos, apaguei as luzes todas da casa, voltei para a rede e fiquei lá, digerindo o que eu tinha acabado de ler.
Pensei na pedra de Bolonha e na Lua. A pedra absorve a luz do Sol e depois a emana na escuridão, diferente da Lua que só a reflete, como um espelho. Sem a luz do Sol, a Lua perde o brilho. A pedra brilha na ausência do Sol.
Às vezes sou Lua, às vezes sou pedra. Às vezes sou superficial, só reflexo, só aparência. Quando a luz se vai, eu me apago. Mas minha essência é construída como a pedra: absorvo os ensinamentos do mundo e os devolvo, reinterpretados conforme o meu entendimento.
Fiquei pensando nisto, fechei os olhos, aquela brisa gostosa como um beijo... acabei adormecendo.
Quando acordei, já era bem tarde e resolvi terminar de filosofar na minha cama, longe das luzes secretas da noite, no escuro, como a Lua Nova.
Beijos,
enviada por Tacinha
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